
Não eram todos loiros: quem foram os vikings, inspiração da Noruega na Copa
Resumo
A comemoração da seleção da Noruega após as vitórias na Copa do Mundo chama a atenção. Depois das partidas, os jogadores se unem aos torcedores e simulam o movimento de remar, em uma homenagem aos vikings, povo que faz parte da identidade histórica do país.
Quem eram os vikings?
Os vikings eram povos originários da Escandinávia. A região hoje corresponde à Noruega, Suécia e Dinamarca.
Eles viveram entre os séculos oito e 11 e ficaram conhecidos principalmente por suas habilidades marítimas. Em embarcações de madeira conhecidas como dracares, navegaram por extensas áreas, explorando novas rotas, realizando expedições comerciais e promovendo invasões e saques.
Além de alcançarem a Islândia e a Groenlândia, os vikings chegaram à América do Norte, na região onde hoje fica o Canadá, cerca de cinco séculos antes de Cristóvão Colombo. Também navegaram pelos rios da atual Rússia, estabeleceram contatos com o Oriente Médio e fundaram assentamentos em diferentes partes da Europa.
A Dinamarca foi um dos principais centros políticos da Era Viking. Foi de lá que surgiram alguns dos reis mais poderosos, como Harald Bluetooth, cujo nome inspirou a famosa tecnologia de conexão sem fio.
Já a maior invasão viking foi a Grande Armada Pagã, que começou em 865 d.C. Na ocasião, milhares de guerreiros desembarcaram no leste da Inglaterra com o objetivo de saquear, conquistar e ocupar territórios.
Mitos sobre os vikings
Embora sejam frequentemente retratados como guerreiros violentos, os vikings também eram comerciantes, agricultores, artesãos e construtores experientes. O Museu Nacional da Dinamarca, por exemplo, trabalha para desmistificar essa imagem e mostrar que a sociedade viking era muito mais complexa do que a cultura popular costuma retratar.
Apesar de terem protagonizado invasões e saques, os vikings desenvolveram uma sociedade sofisticada, com intensa atividade comercial, organização política e uma rica tradição cultural. Como outros povos da Europa medieval, viveram em um período marcado por disputas territoriais e conflitos constantes.
Outro mito bastante difundido é o de que usavam capacetes com chifres ou bebiam em crânios humanos. Não há evidências que sustentem essas representações, popularizadas apenas no século 19 por óperas e obras de arte e, mais tarde, pelo cinema e pela televisão.
Também é mito afirmar que todos os vikings eram loiros e de olhos azuis. Pesquisas recentes mostram que eles eram mais diversos do que se imaginava.
Um estudo publicado na revista Nature em 2020 analisou o DNA de mais de 400 indivíduos da Era Viking encontrados em sítios arqueológicos de diferentes regiões da Europa. Os resultados revelaram que muitos tinham ancestrais do sul da Europa, das Ilhas Britânicas e até da Ásia.
Por isso, havia vikings com diferentes características físicas, incluindo cabelos castanhos e traços variados. As constantes viagens, o comércio e o contato com outros povos favoreceram essa diversidade ao longo dos séculos.
A remada viking da Noruega
A Noruega voltou a disputar uma Copa do Mundo após 28 anos e se tornou uma das sensações do torneio. Além do protagonismo de Erling Haaland, a seleção ganhou destaque pela chamada "remada viking".
Após as partidas, jogadores e torcedores simulam o movimento de remar enquanto gritam "Ro!", palavra que significa "remar" em norueguês. A celebração simboliza a ideia de união: um barco só avança quando todos remam na mesma direção.
Apesar da inspiração na herança viking, a comemoração é recente. Ela foi criada em 2025 por Ole Frøystad, integrante do grupo oficial de torcedores da seleção norueguesa.
Em entrevista ao jornal norueguês VG, Frøystad explicou que a ideia surgiu a partir de um tradicional cântico da torcida do Rosenborg, uma das principais equipes do país. "Tudo começou há muitos anos, quando o Rosenborg jogava em casa. Eles dividiam o nome do clube em três partes: 'Ro-sen-borg'. Quando ouvi aquilo pela primeira vez, fiquei impressionado com a força que o 'Ro' exercia sobre o estádio Lerkendal. Pensei: 'Meu Deus, isso foi muito forte'."
Desde então, a comemoração ganhou uma versão para a seleção e viralizou durante a Copa do Mundo, especialmente após as vitórias sobre Senegal e Costa do Marfim. Entretanto, pode chegar ao fim caso a Noruega seja eliminada pelo Brasil nas oitavas de final do torneio.
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